Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso
um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.
Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.
A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:
a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.
* Poema-título do livro
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Lançamento de Água Negra**
"Oriki para Osun
O rio se cala,
mas há quem não saiba
que ele é fundo."
Lívia Natália
“O canto dos segredos que habitam as saliências do rio e do mar, escutado nesse vigoroso livro, deixa como rastro na nossa alma as inquietações do mundo”
Ângela Vilma, poeta e Professora da UFRB.
Água Negra é um mergulho pra dentro de nós mesmas. Depois de séculos sendo personagem, nos tornamos senhoras de nossas histórias.
Mel Adún, poeta e Jornalista.
Água Negra foi o livro premiado pelo
Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital,
categoria poesia, no ano de 2011.
**13.09.2011 - Lançamento oficial no Solar Cunha Guedes, no Corredor da Vitória, pelo X Prêmio Banco Capital de Cultura e Arte. Para convidados.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Sina
Todo mês eu sangro.
Diversa de mim,
atravesso águas brutas,
oceanos que me povoam bravios.
Expulso o que em mim excede
e do que sobra,
algo se move lívido
pulsando nas sendas de meu ventre.
Quando sangro,
o animal onde moro troca de pele
por dentro,
expurgando entranhas.
Todo mês eu sangro.
Todo mês eu singro este mar,
em que me banho.
Diversa de mim,
atravesso águas brutas,
oceanos que me povoam bravios.
Expulso o que em mim excede
e do que sobra,
algo se move lívido
pulsando nas sendas de meu ventre.
Quando sangro,
o animal onde moro troca de pele
por dentro,
expurgando entranhas.
Todo mês eu sangro.
Todo mês eu singro este mar,
em que me banho.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Buscância
Precisam-se de estrelas que brilhem nos vãos do corpo,
que poluam com seu branco luminoso
a dobra opaca de que toda sou.
Paga-se bem:
em fartas moedas de silêncio,
com dores sem cura,
com sangue duro e vivo de entranhas.
Preciso de alguma luz estranha e calma.
D'algum clarão alvo e verdadeiro.
Algo que negue este estreito
onde moro em solidão.
que poluam com seu branco luminoso
a dobra opaca de que toda sou.
Paga-se bem:
em fartas moedas de silêncio,
com dores sem cura,
com sangue duro e vivo de entranhas.
Preciso de alguma luz estranha e calma.
D'algum clarão alvo e verdadeiro.
Algo que negue este estreito
onde moro em solidão.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Sem adereços
Nem tudo o que dói,
que come de olhos despertos meu sangue,
por dentro,
pisado e grosso.
Nem tudo o que grito,
ou calo,
nem tudo que cabe no baú de meus tristes guardados.
Nem tudo o que choro
pode ser
transmutado
em poesia.
que come de olhos despertos meu sangue,
por dentro,
pisado e grosso.
Nem tudo o que grito,
ou calo,
nem tudo que cabe no baú de meus tristes guardados.
Nem tudo o que choro
pode ser
transmutado
em poesia.
quinta-feira, 3 de março de 2011
A mulher e os ratos
Ao miserável do Freud,
que me leu antes de mim.
Amo os meus sintomas
como quem ama mais os anéis
que os próprios dedos.
que me leu antes de mim.
Amo os meus sintomas
como quem ama mais os anéis
que os próprios dedos.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Alcova
Meu corpo é todo sendas.
Nelas não caminho,
tomo atalhos.
Afinal,
pode o oceano beber-se todo
em cada gota sua?
Nelas não caminho,
tomo atalhos.
Afinal,
pode o oceano beber-se todo
em cada gota sua?
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Temperança derrotada
Passaram as primaveras
e as pétalas adormeceram em seu perfume inútil.
Nenhuma mão as cingiu delicada.
Nenhuma lâmina bravia acordou seu sumo.
Nem laivo de sua sombra,
apenas a dor da beleza não colhida.
Finalmente
foi-se o perigo da felicidade:
passaram as primaveras e sua angústia exausta.
e as pétalas adormeceram em seu perfume inútil.
Nenhuma mão as cingiu delicada.
Nenhuma lâmina bravia acordou seu sumo.
Nem laivo de sua sombra,
apenas a dor da beleza não colhida.
Finalmente
foi-se o perigo da felicidade:
passaram as primaveras e sua angústia exausta.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Pequena Canção da Vigília
Sem nilimentos e a vida à toda
o sono tem sido firme como um outro acordar:
um cão de plumosa ira a roer meus calcanhares,
um sol de luz intensa a profanar os breus de mim,
um vento contra o qual eu ando como quem luta
com o que não vê.
Tenho dormido sem sonhos e acordado verdadeira.
Quando fecho os olhos exaustos de ser,
a porta maciça revela-se intransponível
e descubro desemparada que,
mais que as chaves, perdi as fechaduras
e não há janela de tramela inocente,
nem buraco indecente
por onde lamber a névoa densa do sonho.
Mais que a dor, a noite passa e o dia rasga,
com seu falo inconsútil, as tramas da cortina.
Sobrevivo à noite e a aurora dança crua sobre a terra.
o sono tem sido firme como um outro acordar:
um cão de plumosa ira a roer meus calcanhares,
um sol de luz intensa a profanar os breus de mim,
um vento contra o qual eu ando como quem luta
com o que não vê.
Tenho dormido sem sonhos e acordado verdadeira.
Quando fecho os olhos exaustos de ser,
a porta maciça revela-se intransponível
e descubro desemparada que,
mais que as chaves, perdi as fechaduras
e não há janela de tramela inocente,
nem buraco indecente
por onde lamber a névoa densa do sonho.
Mais que a dor, a noite passa e o dia rasga,
com seu falo inconsútil, as tramas da cortina.
Sobrevivo à noite e a aurora dança crua sobre a terra.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Sina
Que mais pode um poeta fazer das pedras
senão cantá-las?
senão cantá-las?
Aporias do afeto
É tempo de morangos.
E de sol crepitante nas pedras da rua.
É tempo de chuvas esparsas
e palavras contidas:
céu de chumbo
para além do azul.
Tempo é das estátuas nuas
perfilharem os mendigos miúdos e
desmatriados.
É tempo de espera,
de silêncio,
de sangue sem carne,
de olhos de galo cantando o mundo.
Sim.
É tempo de morangos.
E de sol crepitante nas pedras da rua.
É tempo de chuvas esparsas
e palavras contidas:
céu de chumbo
para além do azul.
Tempo é das estátuas nuas
perfilharem os mendigos miúdos e
desmatriados.
É tempo de espera,
de silêncio,
de sangue sem carne,
de olhos de galo cantando o mundo.
Sim.
É tempo de morangos.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Romance
A palavra resvala dura
na carne de meu afeto.
(se dói e à noite não durmo,
ao menos fico límpida e delicada)
Nas distâncias que rebrilham sutilezas
Ouço seus olhos:
fina pétala magoada.
Sua voz a si mesma devora
famélica e desesperada.
E correntezas de brilho triste
cortam minha face desconsolada.
Findo nosso enlevo,
desperta o mundo:
E pela janela reluz o dia
tenso de borboletas.
e sinto,
nas narinas,
o hálito bruto da primavera.
Poema produzido na minha aula de criação literária, a pedido-desafio de meus criativos. Oficina: os objetos. Título original: Pelo telefone.
na carne de meu afeto.
(se dói e à noite não durmo,
ao menos fico límpida e delicada)
Nas distâncias que rebrilham sutilezas
Ouço seus olhos:
fina pétala magoada.
Sua voz a si mesma devora
famélica e desesperada.
E correntezas de brilho triste
cortam minha face desconsolada.
Findo nosso enlevo,
desperta o mundo:
E pela janela reluz o dia
tenso de borboletas.
e sinto,
nas narinas,
o hálito bruto da primavera.
Poema produzido na minha aula de criação literária, a pedido-desafio de meus criativos. Oficina: os objetos. Título original: Pelo telefone.
sábado, 21 de agosto de 2010
Gênesis
Hoje há tanto desejo,
tanto caos,
e tanta espera
que sinto que poderia escrever o mundo,
com esta voz triste de poeta.
tanto caos,
e tanta espera
que sinto que poderia escrever o mundo,
com esta voz triste de poeta.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Reverência ao mar
O oceano se banha nas próprias águas, Cacaso
O tempo é de homens partidos
e de corações partidos.
Mas, o meu olhar é de profunda
Contemplação.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Musas Inspiradas
Amigos,
Vou aqui anunciar um lançamento, ou melhor, dois lançamentos que me deixam muito feliz. Ângela Vilma em "Cartas para Antônio" e Mônica Menezes, com "Estranhamentos". Será um gosto compartilhar este momento com elas, que são duas musas absolutamente inspiradas.
Não percam!
Um beijo amoroso nas duas!!!!
Vou aqui anunciar um lançamento, ou melhor, dois lançamentos que me deixam muito feliz. Ângela Vilma em "Cartas para Antônio" e Mônica Menezes, com "Estranhamentos". Será um gosto compartilhar este momento com elas, que são duas musas absolutamente inspiradas.
Não percam!
Um beijo amoroso nas duas!!!!
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