segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Água Negra no Sarau Bem black!



Agora fiquei megaemocionada! Saca lá qual é a história da coisa!!! São os dois anos do Sarau Bem Black! http://gramaticadaira.blogspot.com/




Atenção:

Próxima quarta-feira, 28 de setembro, às 19hs, lançamento de

Água Negra
no

Sarau Bem Black

(Sankofa African Bar - Pelourinho) sob a iluminada regência do grande EXU encruzilhador de caminhos, o mestre Nelson Maca!

Só alegria!!! 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CARURU DOS SETE POETAS - SÁBADO - 24 DE SETEMBRO!!!



LANÇAMENTO DE


ÁGUA NEGRA

Caruru com gostinho de poesia, vamos recitar, comer e sambar, minha gente!!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Água Negra*

Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso
um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.

Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.

A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:
a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.


* Poema-título do livro

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lançamento de Água Negra**



"Oriki para Osun

                                O rio se cala, 

                                 mas há quem não saiba 

                                             que ele é fundo."
                                                                     Lívia Natália





“O canto dos segredos que habitam as saliências do rio e do mar, escutado nesse vigoroso livro, deixa como rastro na nossa alma as inquietações do mundo”

Ângela Vilma, poeta e Professora da UFRB.


                               
Água Negra é um mergulho pra dentro de nós mesmas. Depois de séculos sendo personagem, nos tornamos senhoras de nossas histórias. 
Mel Adún, poeta e Jornalista.



Água Negra foi o livro premiado pelo
Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital,
categoria poesia, no ano de 2011.




**13.09.2011 - Lançamento oficial no Solar Cunha Guedes, no Corredor da Vitória, pelo X Prêmio Banco Capital de Cultura e Arte. Para convidados.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sina

Todo mês eu sangro.
Diversa de mim,
atravesso águas brutas,
oceanos que me povoam bravios.
Expulso o que em mim excede
e do que sobra,
algo se move lívido
pulsando nas sendas de meu ventre.

Quando sangro,
o animal onde moro troca de pele
por dentro,
expurgando entranhas.

Todo mês eu sangro.
Todo mês eu singro este mar,
em que me banho.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Buscância

Precisam-se de estrelas que brilhem nos vãos do corpo,
que poluam com seu branco luminoso
a dobra opaca de que toda sou.

Paga-se bem:
em fartas moedas de silêncio,
com dores sem cura,
com sangue duro e vivo de entranhas.

Preciso de alguma luz estranha e calma.
D'algum clarão alvo e verdadeiro.
Algo que negue este estreito
onde moro em solidão.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sem adereços

Nem tudo o que dói,
que come de olhos despertos meu sangue,
por dentro,
pisado e grosso.
Nem tudo o que grito,
ou calo,
nem tudo que cabe no baú de meus tristes guardados.
Nem tudo o que choro
pode ser
transmutado
em poesia.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A mulher e os ratos

        Ao miserável do Freud,
                que me leu antes de mim.

Amo os meus sintomas
como quem ama mais os anéis
que os próprios dedos.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Alcova

Meu corpo é todo sendas.
Nelas não caminho,
              tomo atalhos.
Afinal,
pode o oceano beber-se todo
em cada gota sua?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Temperança derrotada

Passaram as primaveras
e as pétalas adormeceram em seu perfume inútil.
Nenhuma mão as cingiu delicada.
Nenhuma lâmina bravia acordou seu sumo.
Nem laivo de sua sombra,
apenas a dor da beleza não colhida.

Finalmente
foi-se o perigo da felicidade:
passaram as primaveras e sua angústia exausta.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pequena Canção da Vigília

Sem nilimentos e a vida à toda
o sono tem sido firme como um outro acordar:
um cão de plumosa ira a roer meus calcanhares,
um sol de luz intensa a profanar os breus de mim,
um vento contra o qual eu ando como quem luta
                     com o que não vê.

Tenho dormido sem sonhos e acordado verdadeira.

Quando fecho os olhos exaustos de ser,
a porta maciça revela-se intransponível
e descubro desemparada que,
mais que as chaves, perdi as fechaduras
e não há janela de tramela inocente,
nem buraco indecente
                 por onde lamber a névoa densa do sonho.

Mais que a dor, a noite passa e o dia rasga,
com seu falo inconsútil, as tramas da cortina.

Sobrevivo à noite e a aurora dança crua sobre a terra.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sina

Que mais pode um poeta fazer das pedras
senão cantá-las?

Aporias do afeto

É tempo de morangos.
E de sol crepitante nas pedras da rua.
É tempo de chuvas esparsas
e palavras contidas:
céu de chumbo
para além do azul.

Tempo é das estátuas nuas
perfilharem os mendigos miúdos e
desmatriados.

É tempo de espera,
de silêncio,
de sangue sem carne,
de olhos de galo cantando o mundo.
Sim.

É tempo de morangos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Romance

A palavra resvala dura
na carne de meu afeto.
(se dói e à noite não durmo,
ao menos fico límpida e delicada)

Nas distâncias que rebrilham sutilezas
Ouço seus olhos:
                            fina pétala magoada.
Sua voz a si mesma devora
famélica e desesperada.

E correntezas de brilho triste
cortam minha face desconsolada.

Findo nosso enlevo,
desperta o mundo:
E pela janela reluz o dia
tenso de borboletas.
e sinto,
nas narinas,
o hálito bruto da primavera.





Poema produzido na minha aula de criação literária, a pedido-desafio de meus criativos. Oficina: os objetos. Título original: Pelo telefone.