quinta-feira, 29 de setembro de 2011

NEGRAS ODARA!

Odara é nosso olhar para o mundo, é nossa diferença e nossa busca. Odara é uma forma de compreender, de ler os muros de grafite, as pedras dos rios e as diferenças dos iguais. Odara é desmedo puro, é mergulho, é reexistência!

No dia 02 de Outubro, na Galeria do Livro (Espaço Unibanco de Cinema) três Negras Odara! se encontram para partilhar as suas travessias: Ana Lúcia Silva Souza (Analu), com Letramentos de Reexistência: poesia, grafite, música, dança: HIP-HOP. (Parábola Editorial -170pgs), aponta para a complexidade das práticas letradas que conformam a realidade brasileira e, em especial, os letramentos que envolvem a cultura hip-hop. O trabalho, que tem na tese de doutorado a sua origem, fala de uma intelectualidade gestada em territórios acadêmicos e, principalmente não acadêmicos e vemos nele uma escola contestada, mas também deslocada a favor da juventude. Falamos aqui de letramentos de reexistência em negro! Já em Flor e Rosa, um amor entre iguais (Mazza Edições - 24pgs), Benilda Brito, tomando da escrita literária, elabora um texto com desmedo, inaugurando um tempo novo. A autora sabe que a arte desconhece preconceitos, que a literatura não ignora nada que é humano. E, com cuidados, reconhece que o amor tem muitas mãos. É assim que se desenha a história de Flor e Rosa. E, finalmente, Lívia Natália com Água Negra (Prêmio Banco Capital de Poesia/2011 –74pgs) nos oferece um é um mergulho pra dentro de nós mesmas, a partir de uma escrita poética irradiada por Osun, ela escreve uma poesia de saia rodada e nos lança, indubitavelmente, da pedra que sentamos para avistar o mundo, à água, poesia maior, em mergulho arrebatador. Desse mergulho saímos pessoas apaziguadas, iluminadas. Tudo isto faz deste, um encontro de Negras Odara! No lançamento destes três livros haverá uma programação cultural para toda a família com contação de histórias, roda de palavras com poemas e crônicas, free style com MCS e Chorinho, com o Grupo Eternas Vibrações.
Sejam bem-vind@s e bem-chegad@s!

O que: Negras Odara! – Lançamento de Livros
Onde: Galeria do Livro e Arte – 2º Andar. No Espaço Unibanco de Cinema - (Praça Castro Alves, Centro – Salvador – fone  3354 0605  - estacionamento no local)
Quando: 02 de outubro de 2011 – domingo – das 15hs às 18 horas.
Quanto: Letramentos de Reexistência - R$25,00; Flor e Rosa - R$15,00; Água Negra - R$20,00 ou no “KIT ODARA!”: os três livros por R$55,00.
Com quem: As autoras, MCS, Grupo Eternas Vibrações e quem mais chegar! Chegue!


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Água Negra no Sarau Bem black!



Agora fiquei megaemocionada! Saca lá qual é a história da coisa!!! São os dois anos do Sarau Bem Black! http://gramaticadaira.blogspot.com/




Atenção:

Próxima quarta-feira, 28 de setembro, às 19hs, lançamento de

Água Negra
no

Sarau Bem Black

(Sankofa African Bar - Pelourinho) sob a iluminada regência do grande EXU encruzilhador de caminhos, o mestre Nelson Maca!

Só alegria!!! 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

CARURU DOS SETE POETAS - SÁBADO - 24 DE SETEMBRO!!!



LANÇAMENTO DE


ÁGUA NEGRA

Caruru com gostinho de poesia, vamos recitar, comer e sambar, minha gente!!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Água Negra*

Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso
um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.

Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.

A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:
a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.


* Poema-título do livro

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lançamento de Água Negra**



"Oriki para Osun

                                O rio se cala, 

                                 mas há quem não saiba 

                                             que ele é fundo."
                                                                     Lívia Natália





“O canto dos segredos que habitam as saliências do rio e do mar, escutado nesse vigoroso livro, deixa como rastro na nossa alma as inquietações do mundo”

Ângela Vilma, poeta e Professora da UFRB.


                               
Água Negra é um mergulho pra dentro de nós mesmas. Depois de séculos sendo personagem, nos tornamos senhoras de nossas histórias. 
Mel Adún, poeta e Jornalista.



Água Negra foi o livro premiado pelo
Projeto de Cultura e Arte do Banco Capital,
categoria poesia, no ano de 2011.




**13.09.2011 - Lançamento oficial no Solar Cunha Guedes, no Corredor da Vitória, pelo X Prêmio Banco Capital de Cultura e Arte. Para convidados.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sina

Todo mês eu sangro.
Diversa de mim,
atravesso águas brutas,
oceanos que me povoam bravios.
Expulso o que em mim excede
e do que sobra,
algo se move lívido
pulsando nas sendas de meu ventre.

Quando sangro,
o animal onde moro troca de pele
por dentro,
expurgando entranhas.

Todo mês eu sangro.
Todo mês eu singro este mar,
em que me banho.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Buscância

Precisam-se de estrelas que brilhem nos vãos do corpo,
que poluam com seu branco luminoso
a dobra opaca de que toda sou.

Paga-se bem:
em fartas moedas de silêncio,
com dores sem cura,
com sangue duro e vivo de entranhas.

Preciso de alguma luz estranha e calma.
D'algum clarão alvo e verdadeiro.
Algo que negue este estreito
onde moro em solidão.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sem adereços

Nem tudo o que dói,
que come de olhos despertos meu sangue,
por dentro,
pisado e grosso.
Nem tudo o que grito,
ou calo,
nem tudo que cabe no baú de meus tristes guardados.
Nem tudo o que choro
pode ser
transmutado
em poesia.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A mulher e os ratos

        Ao miserável do Freud,
                que me leu antes de mim.

Amo os meus sintomas
como quem ama mais os anéis
que os próprios dedos.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Alcova

Meu corpo é todo sendas.
Nelas não caminho,
              tomo atalhos.
Afinal,
pode o oceano beber-se todo
em cada gota sua?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Temperança derrotada

Passaram as primaveras
e as pétalas adormeceram em seu perfume inútil.
Nenhuma mão as cingiu delicada.
Nenhuma lâmina bravia acordou seu sumo.
Nem laivo de sua sombra,
apenas a dor da beleza não colhida.

Finalmente
foi-se o perigo da felicidade:
passaram as primaveras e sua angústia exausta.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pequena Canção da Vigília

Sem nilimentos e a vida à toda
o sono tem sido firme como um outro acordar:
um cão de plumosa ira a roer meus calcanhares,
um sol de luz intensa a profanar os breus de mim,
um vento contra o qual eu ando como quem luta
                     com o que não vê.

Tenho dormido sem sonhos e acordado verdadeira.

Quando fecho os olhos exaustos de ser,
a porta maciça revela-se intransponível
e descubro desemparada que,
mais que as chaves, perdi as fechaduras
e não há janela de tramela inocente,
nem buraco indecente
                 por onde lamber a névoa densa do sonho.

Mais que a dor, a noite passa e o dia rasga,
com seu falo inconsútil, as tramas da cortina.

Sobrevivo à noite e a aurora dança crua sobre a terra.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sina

Que mais pode um poeta fazer das pedras
senão cantá-las?

Aporias do afeto

É tempo de morangos.
E de sol crepitante nas pedras da rua.
É tempo de chuvas esparsas
e palavras contidas:
céu de chumbo
para além do azul.

Tempo é das estátuas nuas
perfilharem os mendigos miúdos e
desmatriados.

É tempo de espera,
de silêncio,
de sangue sem carne,
de olhos de galo cantando o mundo.
Sim.

É tempo de morangos.