terça-feira, 8 de novembro de 2011

Água Negra

Chove muito na cidade.
No asfalto betumoso um sangue transparente,
ora de um rubro desencarnado,
ora encardido de um cinza nebuloso,
é vomitado em cólicas
por toda a parte.

Das paredes duras vaza um mais escuro que,
imagino,
seja a água mordendo as estruturas.

A água é assim:
atiçada do céu,
infinita no mar,
nômade no chão pedregoso,
presa no fundo de um poço imenso:

a água devora tudo
com seus dentes intangíveis.

Um comentário:

  1. Nunca pensei em sentir tamanha emoção...
    Mergulhei totalmente nas várias Natálias e nas
    inúmeras e infinitas Livias!
    Maravilha de se ler! voltarei sempre e sempre !

    Neila Ferreira

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